É provável que, ao menos em termos de variedade de cenários e de modalidades, não haja no Brasil estado com mais opções de esportes na natureza do que a Bahia. “É uma das regiões com o maior crescimento de turismo de aventura no cenário nacional”, diz Jean Claude Marc Razel, presidente da Abeta (Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura), entidade que acaba de criar uma comissão regional para fortalecimento das operadoras de esportes radicais no estado.
“Além de muito bonita, a Bahia tem uma diversidade geológica impressionante”, diz Carlos Zaith, responsável pela introdução do canyoning no país, modalidade em que o praticante desce um rio por seu leito, transpondo corredeiras e todo tipo de acidente geográfico por meio de diversas técnicas (natação, caminhada, esacalada ou via rapel). Há 13 anos, ele foi o primeiro a descer, de corda, a maior atração molhada da Chapada Diamantina, a Cachoeira da Fumaça, com 340 m de altura. Zaith lembra ainda que, embaixo da terra, a Bahia também bate recorde: entre Juazeiro e Feira de Santana, a Toca da Boa Vista é uma das maiores cavernas do mundo, com 150 km de extensão. “Há muitos lugares ricos que ainda nem foram explorados comercialmente, como a parte oeste, perto da cidade de Barreiras” diz o aventureiro.
Os atrativos, de fato, são muitos. Com 1.200 km de orla, a Bahia tem 300 praias. Com exceção da Chapada Diamantina, que ocupa boa parte do interior do estado, todos os outros destinos que selecionamos para você têm, além da aventura, enseadas cheias de encanto, badaladas ou selvagens, com coqueirais, lagoas de água limpa, piscinas naturais. E tem para todos os públicos: Abrolhos tem clima familiar e hospedagem a bordo; Itacaré é diferente de todas as outras — em vez de coqueirais sem fim, suas praias são desenhadas por costões e Mata Atlântica; vizinha, separada de Itacaré pelo Rio de Contas, está a Península de Maraú, que ainda conserva trechos selvagens e a vila de Barra Grande, que virou point no verão. O litoral norte de Salvador, com seus novos megaresorts, agrada quem precisa de estrutura para viajar com crianças. E a Costa do Descobrimento, onde estão Trancoso, Caraíva, Ponta do Corumbau e Cumuruxatiba, abriga uma das praias mais bonitas do Brasil, a do Espelho da Maravilha. Em comum, todos os lugares têm, além das belezas naturais, atrativos de sora para quem é fã de esporte.
A capital, Salvador, é a maior herança que os negros vindos em porões de navios deixaram para o Brasil. Seus traços são onipresentes: na música, na comida, na religião e na cor de seus moradores.
Subir picos, descer cachoeiras, explorar cavernas, andar dias e dias sem repetir um só cenário. A Chapada Diamantina é o Taj Mahal, é Machu Picchu, é a Disneilândia dos que gostam de passar férias com altas doses de adrenalina. Ocupando boa parte do interior da Bahia (57 municípios), ela tem tamanho de países inteiros, como a Holanda. E números de fazer arrepiar até os cabelos de Indiana Jones: 30 cachoeiras, mais de 40 opções de trilhas e 200 cavernas — a cada ano, uma nova atração aparece para os mais de 120 mil ecoturistas que desembarcam em Lençóis, a cidade principal da região. Em 2008, um projeto do Ministério do Turismo elegeu a Chapada como o destino referência em turismo de aventura no Brasil. Não poderia ser outro. Subir morros com pedras nas laterais e explorar grutas com uma lanterna é inevitável até para quem vem fazer turismo de excursão: para conhecer a vista 360 graus do Morro do Pai Inácio, por exemplo, o turista sobe 20 minutos sem sombra, depois de sacolejar em uma estrada de terra poeirenta. “Bom mesmo é descer o Pai Inácio de rapel”, diz o corredor de aventuras soteropolitano Luciano Carvalho. Caminhar até gastar a sola da bota também não é castigo por aqui. A travessia mais famosa, que liga o Vale do Capão à cidade de Andaraí, é um trekking de 50 km, feitos em três dias entre campos, cânions, paredões e cachoeiras, em um sobe-e-desce sem fim. A recompensa é o Vale do Paty, que dá nome à trilha, uma região ainda selvagem com mais cachoeiras, boqueirões, grutas e rios. Parece nunca acabar. Novas vias de escalada surgem o tempo todo. E descidas de cachoeiras como a Fumaça, a Marimbondo e a Fumacinha, já não causam o mesmo furor. “Tem até cave jumping”, brinca Luciano, referindo-se a um bungee jumping instalado na boca da Gruta do Lapão. Chamar de parque de diversões não é exagero.
Fonte: Revista ESPM Brasil
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